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‘Um Conto Chinês’ e a grandiosidade do cinema Argentino

Um conto chinês (Um Cuento Chino) é uma comédia Argentina, roteirizada e dirigida por Sebastían Borensztein. A obra segue a tendência do cinema Argentino que vem conquistando o seu espaço com propostas às avessas do que nós, brasileiros, estamos tão acostumados a consumir: o cinema Hollywoodiano. Novos olhares vêm sendo explorados pelos cineastas Argentinos, e ao contrário da maioria dos produtos apresentados pela indústria americana, não são os carros capotando ou super-heróis salvando Nova Iorque que despertam o interesse do público, e sim, a sutileza dos detalhes, a reflexão sobre a existência humana e a beleza da vida cotidiana.

O filme começa com um tom melancólico e um tanto pitoresco. O protagonista Roberto é um homem solitário e metódico. Dono de uma pequena loja de ferragens, ele tem alguns hábitos estranhos, como colecionar notícias bizarras que lê em jornais. E a notícia de que uma vaca caiu do céu acabará com as convicções já estabelecidas pelo protagonista e transformará toda a sua vida. Além disso, proporcionará para nós, espectadores, uma obra divertidíssima do cinema Argentino.

Em um dia qualquer, enquanto Roberto vê os aviões pousando no aeroporto de Buenos Aires, ele conhece por acaso, o Chinês Jun. Ele chega ao país sem falar uma palavra de espanhol e sem ter onde se hospedar. Roberto decide ajudá-lo e o leva, a princípio, temporariamente, para sua casa. A dificuldade na comunicação dos dois é o que concebe, com mestria, o humor do filme. As situações se fundem entre o engraçado, o denso e o desesperador.

Jun é um personagem cômico, e é quase um respiro para o público, que se sente tenso diante de tanto mau humor e solidão emitido por Roberto. Os personagens que parecem ser dois opostos, mas é neste eixo antagônico que o filme encontra o seu equilíbrio. O ritmo aumenta conforme os dois vão se aproximando e criando laços. As situações que vão se desenrolando prendem cada vez mais o espectador que torce para que eles não se separem, e que por fim, consigam encontrar uma forma de se comunicar.

Um dos pontos fortes do filme é sem dúvida, a presença de Ricardo Darín no papel do protagonista. Ele que é um dos mais importantes e queridos atores da Argentina, protagonizou também “O segredo dos seus olhos” e “Tese sobre um homicídio”. O estilo de Darín é diferente de Ignacio Huang, ator que deu vida ao Chinês Jun. Sem o talento destes dois somados a incrível percepção do diretor Borensztein, talvez não se criasse uma positividade crescente no decorrer dos minutos deste longa-metragem.

Essa sensação cresce conforme vão se estreitando as relações de convivência entre Roberto e Jun. O Argentino começa a deixar de lado a sua aparência enfezada e indócil, e começa e demonstrar mais sentimentos sob as situações vividas. Resultado de um estilo cinematográfico que busca traduzir para espectador situações através da aparente despretensão de uma visão universal e sólida sobre os fatos.

A fotografia do filme talvez seja o único ponto incômodo, já que existem algumas inconsistências. Entretanto, isso é sucumbido pela impecabilidade do roteiro e da direção, que transmite uma delicadeza pontual que precisa ser exaltada. Alguns elementos também são utilizados como fio condutor da história: como a vaca e o avião.

Trata-se de uma nova vertente do cinema que vem surgindo como opção para quem não suporta mais o monopólio Americano e seus filmes comerciais. A indústria Argentina está cumprindo muito bem à missão que escolheu para si: fazer cinema, acima de tudo, para sentir.

 

 

Autor: Mariana Mesan

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